sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Investigadores procuram matéria escura no interior do Sol

Ilídio Lopes, da Universidade de Évora, assina artigo na revista «Science» com Joseph Silk, da Universidade Oxford


Ilídio Lopes, Universidade de Évora e Centro Multidisciplinar de Astrofísica do Instituto Superior Técnico

(Ciência Hoje - Portugal) A utilização de detectores de neutrinos solares para verificar se existe matéria escura no interior do sol é uma proposta inovadora de um investigador português e outro inglês, divulgada recentemente na revista norte-americana «Science».

Ilídio Lopes, da Universidade de Évora (UÉvora) e investigador do Centro Multidisciplinar de Astrofísica do Instituto Superior Técnico (CENTRA-IST), e Joseph Silk, da Universidade de Oxford, assinam o artigo.

Ilídio Lopes realçou hoje à Agência Lusa que a matéria escura é “o maior dos enigmas da física moderna” e que os investigadores tentam, “há décadas”, perceber quais os seus constituintes e se existe no interior do sol.

Os dois investigadores avançam a hipótese de os neutrinos produzidos pelo sol, “partículas descobertas no século XX e acerca das quais já se sabe um pouco mais”, poderem ajudar a clarificar o “mistério” da matéria escura.

Sugerem que, além de experiências em construção, os actuais detectores de neutrinos solares, Borexino e SNO (Sudbury Neutrino Observatory), sejam usados para medir os efeitos da matéria escura no centro do sol. “Os detectores poderiam ser utilizados para tentar inquirir algumas propriedades ou ‘assinaturas’ típicas dessa matéria escura”, afirmou Ilídio Lopes, professor do Departamento de Física da UÉvora.

A existência de partículas de matéria escura no interior do sol “parece ser inevitável, apesar de nunca ter sido observada aqui ou noutro local do universo”, refere a universidade. Depois de “capturadas pela atracção gravitacional do sol”, as partículas, que existem em grande quantidade em todas as galáxias, “acumulam-se no centro da estrela”.

Joseph Silk, da Universidade de Oxford

O estudo do potencial efeito para a formação e evolução das estrelas levou os investigadores a concluir que a presença de matéria escura no sol tem como efeito a redução significativa da sua temperatura central.


Ilídio Lopes explicou que os detectores já identificam várias subespécies de neutrinos e a zona do sol em que são produzidos.

“Os neutrinos são sensíveis às variações de temperatura que a matéria escura provocaria na região central do sol. Comparando os vários fluxos de neutrinos, podemos estudar algumas das ‘assinaturas’, que só podem ser explicadas de forma plausível se existir matéria escura”, disse.

A investigação mais não é do que “uma proposta de solução teórica”. No entanto, os autores acreditam que “os observadores da área se vão preocupar em aplicar os detectores nesta análise”. Até porque “são experiências muito caras e não têm que reinventar nada. Basta que tenham em atenção este aspecto quando analisarem os dados fornecidos pela detecção de neutrinos”.

Se for provada a existência de matéria escura dentro das estrelas haverá implicações na forma “como os cientistas pensam a evolução das estrelas e do esquema solar”.

Num outro trabalho, para publicação do «The Astrophysical Journal Letters», os mesmos autores sugerem que, através da detecção das ondas de gravidade produzidas no centro do sol, a Heliosismologia pode, de forma independente, confirmar a presença de matéria escura.
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